As acentuações do caráter, definidas como manifestações excessivas e intensificadas de traços individuais, podem ser interpretadas como extremas, mas ainda dentro dos limites normais do comportamento. Embora sejam consideradas marcantes, essas características não ultrapassam as normas geralmente aceitas e ressaltam a individualidade da pessoa. No entanto, a expressão excessiva de alguns traços pode contribuir para o desenvolvimento de determinados transtornos mentais.
É geralmente aceito que as acentuações do caráter são mais evidentes em pessoas jovens e podem diminuir ou se tornar menos perceptíveis com a idade, exercendo cada vez menos influência sobre a vida cotidiana.
Quem apresenta acentuações e em que grau?
Para analisar as acentuações do caráter, foi utilizado o teste de Lichko; o estudo contou com 6.092 pessoas de diferentes gêneros e idades.

O estudo mostrou que as acentuações mais comuns são:
- Cicloide (18,9%) – caracteriza-se por mudanças periódicas de humor.
- Psicastênica (12,25%) – distingue-se por uma tendência maior à autoanálise e à introspecção excessiva.
- Lábil (10,67%) – manifesta-se por mudanças de humor bruscas e espontâneas.
- Paranoide (8,01%) – expressa-se por uma fixação intensa em determinada ideia.
Assim, aproximadamente um em cada cinco participantes foi identificado como pertencente ao tipo “cicloide”. Isso indica que uma parcela significativa dos respondentes apresenta as mudanças periódicas de humor características desse tipo.
Relação entre acentuações e idade
Quase metade de todos os participantes estava na faixa etária de 25 a 34 anos.

Segundo a teoria, o número de acentuações diminui com a idade, o que é confirmado pelos dados sobre a acentuação mais comum, a “cicloide”:

É importante destacar que os dados apresentados mostram a distribuição percentual de pessoas com determinada acentuação entre todos os participantes da mesma faixa etária. Portanto, o número elevado de respondentes de 25 a 34 anos não exerce influência significativa sobre os resultados finais. Observa-se que, na faixa de 35 a 44 anos, a acentuação do tipo “cicloide” desaparece em metade das pessoas, e uma tendência semelhante ocorre na maioria dos tipos de acentuação.
- O “tipo distímico” aparece em 9,05% das pessoas com até 17 anos e em apenas 1,45% das pessoas de 35 a 45 anos, uma frequência seis vezes menor.
- O tipo “epileptoide” aparece em 5,83% das pessoas com até 17 anos e em somente 0,48% das pessoas de 35 a 45 anos.
- O tipo hipertímico é uma exceção, pois sua frequência cai pela metade apenas na faixa etária de 45 a 60 anos; nas demais faixas, ela é de 3,5% em média.
Diferenças nas acentuações entre homens e mulheres
Sabe-se que os traços característicos de homens e mulheres podem apresentar diferenças significativas, o que leva a variações nas acentuações predominantes entre os gêneros.
Entre os homens, são mais frequentes as seguintes acentuações:
- Paranoide – 11,1% (contra 7,18% entre as mulheres).
- Esquizoide – 10,07% (entre as mulheres, 5,89%).
- Hipertímica – 5,05% (entre as mulheres, 3,81%).
Já entre as mulheres, são mais frequentes:
- Cicloide – 19,84% (entre os homens, 12,03%).
- Psicastênica – 13,09% (entre os homens, 9,08%).
- Lábil – 12,03% (entre os homens, 5,59%).
Influência da escolaridade nas acentuações do caráter

Segundo os resultados do teste, o aumento da escolaridade está associado à redução do número de acentuações, o que também pode estar relacionado à influência da idade.
Relação entre acentuações e estado civil

O estudo mostrou que, entre as pessoas oficialmente casadas, o número de acentuações é de 1,5 a 2 vezes menor do que entre as solteiras. Destacam-se especialmente aquelas que nunca se casaram: nesse grupo, o número de pessoas com acentuações é de duas a três vezes maior do que nos demais.
Acentuações e nível de renda

Com o aumento da renda mensal, o número total de acentuações diminui. No entanto, alguns tipos, como o paranoide e o hipertímico, tornam-se mais frequentes, enquanto outros, como o astênico, o instável, o histriônico e o epileptoide, permanecem sem alterações.
Fatos interessantes sobre as acentuações
- Sua frequência diminui de duas a três vezes com a idade.
- A acentuação “cicloide” aparece em uma de cada cinco pessoas.
- Entre as mulheres, são mais frequentes as acentuações lábil, cicloide e psicastênica.
- Entre os homens, predominam as acentuações paranoide, esquizoide e hipertímica.
- Entre as pessoas casadas, as acentuações são de 1,5 a 2 vezes menos frequentes.
- Pessoas com renda mais alta apresentam com maior frequência acentuações dos tipos paranoide e hipertímico.