A psiquiatria e a psicologia são ciências relativamente jovens, com raízes na medicina e na filosofia, mas essa não é a principal razão para estarem cercadas de mitos. O peso da história, o uso da psiquiatria como instrumento de controle social e os preconceitos da sociedade contribuíram para transformar a palavra “louco” em ofensa e o laudo psiquiátrico em um estigma para a vida toda.
No Brasil, os transtornos mentais estão entre as causas mais comuns de incapacidade. As estatísticas oficiais registram milhões de casos, e esses são apenas os que chegam aos serviços de saúde. Uma das principais razões para o medo da psiquiatria é a falta de informação. Quando o acesso a informações confiáveis é limitado, o medo aumenta. Chegou a hora de mudar isso.
Mito 1. Transtornos mentais são sinal de fraqueza
A última coisa que se deve fazer diante de alguém com sintomas de um transtorno mental é provocar vergonha com frases como “Olhe os problemas que aquela pessoa enfrenta, e você fica triste por uma bobagem”, “Gente normal não procura psicólogo. Você está louco?” ou “Reaja logo, deixe de ser fraco”.
Os transtornos mentais não têm relação com força ou fraqueza de caráter. Quando uma pessoa procura um profissional, isso demonstra responsabilidade e consciência. Além disso, transtornos mentais são condições de saúde como as doenças físicas: eles têm causas e mecanismos próprios.
Por exemplo, a ansiedade ou a depressão podem estar relacionadas a traumas da infância. Não é possível tratar situações assim apenas com força de vontade, pensamento positivo ou uma conversa sincera com um amigo.
Mito 2. Somente adultos têm transtornos mentais
Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, 20% das crianças já tiveram algum transtorno mental pelo menos uma vez. Tanto crianças quanto adultos podem apresentar ansiedade, quadros depressivos, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e outras condições.
Mito 3. Psicoterapia é negócio e charlatanismo
A cultura popular criou a imagem do paciente deitado no divã enquanto responde às perguntas do profissional. Nos filmes, depois de uma conversa desse tipo, o psicoterapeuta recomenda ao paciente “mudar de ares” ou prescreve medicamentos cujos efeitos provocam uma reviravolta na história, quase sempre negativa para o personagem.
Na realidade, o tratamento é bem diferente: o profissional ajuda o paciente a compreender sua condição, ensina a reconhecer sinais de piora e a preveni-la. Além das conversas terapêuticas, medicamentos também podem ser amplamente usados no tratamento.

Mito 4. Pessoas com transtornos mentais não têm cura
De fato, superar um transtorno pode ser difícil, pois o processo de recuperação depende bastante da participação do paciente. Imagine, por exemplo, que uma pessoa procure um serviço de saúde e que a intensidade de sua depressão seja estimada em 10 pontos. Depois de algum tempo, com o uso de medicamentos e o acompanhamento de um profissional, ocorre uma melhora parcial, e a intensidade cai para 6 pontos.
O paciente continua melhorando, segue as recomendações e a depressão cai para 4 pontos. Se ele mantiver os cuidados com a saúde depois dessa melhora, poderá reduzir os sintomas a um nível mínimo e prevenir recaídas ou agravamentos. Isso pode representar uma recuperação parcial ou quase completa.
Mito 5. Pessoas com transtornos mentais não conseguem trabalhar
Os transtornos mentais variam tanto em seus mecanismos quanto na intensidade de seus efeitos sobre o paciente. Uma condição pode afetar todas as áreas da vida sem impedir a pessoa de trabalhar. Na verdade, esse mito muitas vezes dificulta mais o acesso ao emprego do que o próprio transtorno. Essas pessoas podem ter dificuldade para encontrar trabalho e ver seus currículos rejeitados por puro preconceito. No entanto, quando alguém de uma empresa quebra a perna, não é demitido por isso. Não parece incoerente? Principalmente se considerarmos o item 4 deste artigo: não se pode tratar todas as pessoas com transtornos mentais como incapazes.
Além disso, a legislação brasileira não prevê um “registro psiquiátrico” permanente que, por si só, retire direitos da pessoa. Muitas condições de saúde mental nem sequer exigem acompanhamento regular com um psiquiatra ou psicoterapeuta.
Preste atenção!
Para concluir, veja alguns pontos importantes:
- O psiquiatra deve avaliar se o paciente tem condições de trabalhar. O diagnóstico não precisa ser informado em um atestado comum.
- Às vezes, é necessário restringir determinadas atividades: não é razoável colocar uma pessoa em crise psiquiátrica aguda no comando de um avião ou ao volante de um ônibus. O médico responsável pode recomendar outra função.
- Após a recuperação ou quando o quadro está estável, algumas restrições podem ser retiradas, e o diagnóstico deve ser reavaliado.
O tema da saúde mental é cercado de mitos, mas o interesse pelo autoconhecimento é natural: faça o teste popular “Será que tenho transtorno dissociativo de identidade?”.